O ano Era 1979. A então Gleba Paixão, que já assumira em definitivo o nome de Araputanga reúnira gente muito simples, adolescentes, idosos e aqueles que lutaram por um status tão importante: emancipação.
No meio do povo, além dos adolescentes, marcava presença a juventude, muitos não compreendiam direito o porque de tal festa, o certo de antigas lembranças é que a Av. 23 de Maio foi interditada, próximo do hoje Juba Supermercados, onde uma sonização fora instalada para a comemoração noturna.
Quanto anos se passaram. Lógico que naquela época, não tínhamos Poder Judiciário, Faculdade, Lago Azul, Prefeitura, prefeito, Frigorífico, nem mesmo o novo templo da Matriz, mas, estávamos representados no Legislativo (de Mirassol D’ Oeste-MT), pelos então vereadores Direceu Perez Ribeiro (eleito com 480 votos) e pelo Professor Aristides da Silva (eleito com 700 votos).
Na área da Educação deixávamos para trás a Escola Rural Mista de Gleba Paixão e, nossos estudantes externavam orgulho por estudar na nova Escola, cujo nome homenageia um fundador: João Sato.
Como se vê éramos um povoado, cuja fé imensa nos levou a mil glórias, cantaria, no dia 06/03/2010, na quadra Padre Anchieta, José Nilvado de Lima, autor de nosso Hino. Por aqui, em 1979, podemos dizer que tudo estava por ser feito, mas, nada nos desanimava, a vontade de lutar pelo desenvolvimento e a alegria de nossa gente sempre foram uma espécie de marca registrada entre nós.
O professor Benedito Rufino da Silva registrara muitos dos relatos históricos, políticos ou não, daqueles anos de luta. Em sua obra “Filhos do Sol, Contos e Crônicas” entre as páginas 15 a 18, no tema Menina dos Olhos, Rufino relata breves detalhes dos meandros da política e, da luta pela emancipação abarcando o que ocorrera entre 1975 e 1983. Nomes dos líderes que se uniram pelo mesmo ideal, a constituição e atuação pelo desenvolvimento feito pela Associação Amigos de Araputanga estão registrados em tal obra.
Apesar de ser feriado, para lembrar o marco divisor na política municipal, acreditamos que os políticos poderiam celebrar com ênfase esse dia, mas, ao que nos parece, a data, dois de fevereiro passa praticamente em branco favorecendo com o passar dos anos, a penunbra do esquecimento, em camadas cada vez mais espessas estendidas sobre a luta daqueles que tanto se esforçaram para fazer Araputanga politicamente independente. Se hoje não relatarmos, os mais novos, sequer tomam conhecimento de que houve essa parte da história da cidade.
No túnel do tempo, o olhar da Folha de Araputanga não encontra nenhuma outra festividade, além daquela de 1979, que celebre tal conquista. Hoje (02), por parte dos políticos, percebemos apenas o relato solitário da veradora Stellamaris Otênio, que em sua página do Facebook saúda Araputanga pela emancipação. Quem sabe, nos próximos anos, esta data, não seja apenas um feriado de silêncio que põe no esquecimento tão dura luta pela emancipação.
Apesar de tudo, as mil glórias cantadas no Hino, são ressuscitadas na fé do povo que caminha sob o “olhar” e as bençãos da Padroeira, Nossa Senhora de Fátima.